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Da luta contra a leucemia felina à epilepsia e arritmia cardíaca: histórias de superação marcam a rotina de pets no Centro-Oeste de MG

Zeca, o gatinho resgatado com FELV Mary Macedo/Arquivo Pessoal No último sábado (14) foi comemorado o Dia dos Animais, data que convida à reflexão sobre a ...

Da luta contra a leucemia felina à epilepsia e arritmia cardíaca: histórias de superação marcam a rotina de pets no Centro-Oeste de MG
Da luta contra a leucemia felina à epilepsia e arritmia cardíaca: histórias de superação marcam a rotina de pets no Centro-Oeste de MG (Foto: Reprodução)

Zeca, o gatinho resgatado com FELV Mary Macedo/Arquivo Pessoal No último sábado (14) foi comemorado o Dia dos Animais, data que convida à reflexão sobre a saúde e o bem-estar dos amigos de quatro patas. Doenças crônicas podem afetar a qualidade de vida dos pets e de quem cuida deles. Para entender melhor esses desafios, o g1 conversou com o Dr. Eduardo Gonçalves, veterinário de 28 anos que atende na clínica São Francisco, em Bom Despacho, no Centro-Oeste. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A reportagem também apresenta as histórias de Zeca, um gatinho Frajola diagnosticado com FELV (Leucemia Felina), e de Magia, uma Pinscher com epilepsia e arritmia cardíaca, e as tutoras, Mary e Rosilene, compartilharam as dificuldades enfrentadas e a realidade dessas condições. Leucemia Felina: o que é? Dr. Eduardo Gonçalves, veterinário da clínica São Francisco, em Bom Despacho Reprodução/ Redes sociais Segundo o veterinário Dr. Eduardo Gonçalves, a leucemia felina é uma doença silenciosa e transmissível que pode ser devastadora para gatos, com sintomas como emagrecimento progressivo, mucosas pálidas, apatia, vômitos e diarreia. "A FELV compromete o sistema imunológico e pode causar tumores e anemias severas. O manejo exige que o animal fique em ambiente controlado para não transmitir a outros e para evitar contato com agentes infecciosos externos", explica o médico veterinário. Eduardo ressalta também a importância da vacinação, que deve ser feita em filhotes e reforçada anualmente como forma eficaz de prevenção contra a doença. O acompanhamento inclui hemogramas frequentes, já que a imunidade desses pacientes é extremamente volátil. Zeca, o gatinho resgatado com FELV Mary Macedo, de 37 anos, de Divinópolis, compartilha a história do gato Zeca, um Frajola resgatado de um cano em Nova Serrana. "Ele é muito charmoso e conquistou minha irmã em poucas horas. Eu já tinha o Apolo e sentia que ele estava sozinho. Quando minha irmã me enviou uma foto do Zeca, soube que ele era para ser meu", contou Mary. Porém, a alegria de ter um novo gatinho veio acompanhada de uma preocupação inesperada. "Quando fui castrar Zeca, fiz o teste de medula e, infelizmente, recebi a notícia de que ele tinha FELV. Como a doença é transmissível, precisei tomar cuidado com Apolo, que não tinha a doença", explicou Mary. Apesar da descoberta, ela não poderia imaginar devolver Zeca após ter criado um laço tão forte com ele. "Jamais teria coragem de fazer isso", disse. Mary com Zeca e Apolo Mary Macedo/Arquivo Pessoal A veterinária orientou Mary a manter Zeca feliz, já que o estresse poderia diminuir a imunidade dele e abrir portas para a leucemia felina. "Ela me explicou que a felicidade dele é fundamental, então passei a mimá-lo ainda mais. Ele adora brincar e explorar a casa. Comprei brinquedos interativos e criei um espaço seguro onde ele corre e se diverte", contou. A médica também orientou a tutora a investir em nutracêuticos e vitaminas que fortalecem o sistema imunológico de Zeca, para que ele tenha a melhor qualidade de vida possível. Hoje, Zeca tem três anos e, surpreendentemente, é mais saudável que Apolo, que já enfrentou próprias complicações, celebra Mary. Ela menciona que gasta cerca de R$ 250 mensais com cuidados e remédios dos dois, mas considera um investimento necessário. Após algum tempo, decidiu resgatar outra gatinha que estava machucada e desnutrida. "Foi um desafio manter Zeca longe dela por duas semanas, mas agora eles brincam juntos. A alegria deles é contagiante", conclui. Mary com os gatinhos Mary Macedo/Arquivo Pessoal Epilepsia: o que é? De acordo com o veterinário Eduardo, a epilepsia é uma condição neurológica comum em cães e gatos, caracterizada por crises convulsivas. "As convulsões resultam de uma atividade elétrica anormal no cérebro e podem ser causadas por fatores como genética, traumas ou intoxicações". O diagnóstico é feito por exclusão, com base no histórico e nos sintomas do animal. O veterinário enfatiza a importância de observar o comportamento do pet durante e após as crises. "Os tutores devem anotar a duração e a frequência das convulsões, pois isso ajuda a ajustar o tratamento", recomenda. Ele orienta que, em uma crise, os donos mantenham a calma e não interfiram, e que não coloquem as mãos na boca do animal. O tratamento geralmente envolve medicação contínua, como fenobarbital, e exige acompanhamento regular. "A interrupção abrupta da medicação pode ser perigosa e levar a um estado de mal epiléptico", alerta o médico veterinário. "O tutor precisa entender que o objetivo do tratamento não é necessariamente zerar as crises, mas reduzir a frequência e a intensidade para evitar danos neurológicos permanentes", detalha. Arritmia Cardíaca: o que é? Quanto aos problemas cardíacos, como arritmia e insuficiência valvular, o veterinário pontua que o coração costuma apresentar sinais sutis antes de falhar. "Muitos tutores confundem o cansaço fácil ou a tosse noturna com velhice ou gripe, mas podem ser sinais de que o coração está aumentando de tamanho e pressionando a traqueia. A ecocardiografia e o eletrocardiograma são ferramentas que permitem ajustar a dose exata de diuréticos e vasodilatadores, garantindo que o pet não sofra com edemas pulmonares", explicou. As doenças cardíacas, como arritmias e doenças valvulares, são frequentes na clínica de cães. As arritmias ocorrem mais em animais de grande porte, como Boxer e Labrador. Já as doenças valvulares, que afetam o funcionamento das válvulas do coração, predominam em cães de pequeno porte. Para prevenção e diagnóstico precoce, ele recomenda a realização de exames de rotina, como eletrocardiogramas, especialmente em animais acima de 7 anos. "A medicina preventiva é o melhor investimento. Detectar problemas precocemente pode mudar completamente o prognóstico do animal", conclui. Magia, Pinscher de 11 anos, com epilepsia e arritmia cardíaca Magia, Pinscher de 11 anos, com epilepsia e arritmia cardíaca Rosilene Mota/Arquivo Pessoal Rosilene Mota, de Bom Despacho, é tutora de Magia, uma Pinscher de quase 11 anos e paciente do Dr. Eduardo. A saúde da cadela é delicada: recebeu diagnóstico de epilepsia há cerca de seis anos, após episódios de tremores e rigidez, e de arritmia cardíaca três anos atrás. Magia, quando tinha 5 anos, começou a desmaiar e a ter tremores e rigidez. "Ela ficava triste e não queria comer, e esses episódios se repetiam", conta Rosilene. Inicialmente, um veterinário diagnosticou ansiedade, mas, sem melhora, ela procurou a Clínica São Francisco, onde o Dr. Eduardo atende. Finalmente, após alguns exames clínicos, confirmou-se epilepsia. "Foi um alívio saber o que estava acontecendo, mas também um desafio. Ela começou a tomar Gardenal, um remédio humano, que deve ser administrado rigorosamente a cada 12 horas", explica Rosilene. Magia tem 11 anos e mora em Bom Despacho Rosilene Mota/Arquivo Pessoal Após o diagnóstico, surgiu outra dificuldade. Há três anos, Rosilene notou em Magia um quadro respiratório. De início, pensou tratar-se de gripe, mas uma funcionária de uma amiga veterinária alertou que o sintoma em cães pode indicar problemas cardíacos. Preocupada, Rosilene levou Magia de volta ao Dr. Eduardo, que realizou um eletrocardiograma e confirmou a cardiopatia. "Foi um choque. Agora, além da epilepsia, ela também precisaria de tratamento para o coração", diz Rosilene. Magia passou a tomar Fortecor, outro remédio crônico, o que exige acompanhamento contínuo. Rosilene investe cerca de R$ 300 mensais em medicações e consultas. "É um investimento necessário, pois a saúde dela é prioridade. Magia é parte da família, e faremos tudo por ela", conclui. Hoje em dia, apesar de tomar dois medicamentos de 12 em 12 horas, a pequena Pinscher de 11 anos vive bem, tem disposição para passeios duas vezes ao dia, come ração, brinca com os objetos de barulho o dia inteiro e sempre demonstrou alegria com todos em volta. Magia, Pinscher de 11 anos, com epilepsia e arritmia cardíaca Rosilene Mota/Arquivo Pessoal *Estagiária sob supervisão da editora Carol Delgado. ASSISTA TAMBÉM: Tecnologia auxilia tutores nos cuidados com os pets TV Bicho: tecnologia auxilia tutores nos cuidados com os pets VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas