Mesmo após voltar à faculdade, jovem com ‘pior dor do mundo’ tenta driblar crises: ‘Sigo em tratamento’
Doença com 'pior dor do mundo': Entenda Após retornar a Bambuí, no Centro-Oeste de Minas, Carolina Arruda, de 29 anos, conhecida por conviver com uma das dor...
Doença com 'pior dor do mundo': Entenda Após retornar a Bambuí, no Centro-Oeste de Minas, Carolina Arruda, de 29 anos, conhecida por conviver com uma das dores mais intensas já descritas pela medicina, causada pela neuralgia do trigêmeo, busca se adaptar à nova rotina e mantém o tratamento das crises. Nos últimos anos, ela passou por diversos tratamentos e cirurgias na tentativa de reduzir a intensidade das crises. Apesar das intervenções, a jovem afirma que a dor persiste. “As crises ainda são frequentes, e sigo em tratamento”, disse. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Carolina retornou à cidade na última sexta-feira (13) com o objetivo de concluir a graduação em medicina veterinária no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), que estava trancada desde 2023, quando a doença se agravou. Para frequentar o campus, Carolina precisou se acomodar em um hotel próximo à instituição. Ela ficará sozinha, enquanto o marido e a filha permanecem em São Lourenço, no Sul de Minas. "Se eu precisar ir ao hospital, não sei como vai ser. Vim para um hotel por questão de conforto, para poder enfrentar as crises em um ambiente adequado, com cama. O hotel acaba sendo mais confortável do que uma república ou até mesmo morar no carro, como eu havia pensado", explica Carolina. Carolina Arruda convive com a chamada 'pior dor do mundo', causada pela neuralgia do trigêmeo Arquivo Pessoal Ainda segundo a estudante, a nova rotina também traz limitações que ela tenta contornar para conseguir concluir o ensino superior. "No momento, estou em um quarto com ventilador, e o problema é que o vento é um dos gatilhos da minha dor. Com o calor intenso durante o dia, se fecho a janela, o ambiente fica muito abafado, e preciso ligar o ventilador, mas ele causa muita dor. Por outro lado, se abro a janela, entra muito vento e calor. Fico nesse dilema durante o dia e à noite", contou. Carolina disse que negocia com a direção do hotel uma possível troca de quarto. "Estou vendo se eles me autorizam a ir para um quarto com ar-condicionado, onde eu possa regular a temperatura e evitar tantas oscilações. Essas variações me causam muitas crises. O calor me causa dor, o frio também, e o vento igualmente. Preciso ficar em um ambiente com temperatura mais alta, mas controlada". Tratamentos e crises de dor A estudante ganhou notoriedade nacional ao relatar crises severas de dor. Para o médico que acompanha Carolina, Carlos Marcelo de Barros, a retomada da rotina acadêmica pode trazer benefícios importantes ao tratamento. “A dor crônica é um fenômeno complexo que envolve, além do estímulo físico, questões sociais e emocionais. O fato de Carolina poder retomar a rotina, concluir o curso e se preparar para o trabalho ativa áreas do cérebro que também contribuem para o tratamento e podem proporcionar melhores condições de vida”, destacou o médico. Entenda a condição Carolina Arruda compartilha nas redes sociais a rotina do tratamento Redes Sociais/Reprodução Desde 2013, a estudante enfrenta a neuralgia do trigêmeo, conhecida como a 'pior dor do mundo'. A condição provoca episódios intensos e incapacitantes no rosto e a levou a recorrer a diversos tratamentos para aliviar o sofrimento. Veja abaixo perguntas e repostas sobre o caso da jovem: Quem é Carolina Arruda? O que é a neuralgia do trigêmeo? Quando começaram os sintomas? Como era a vida dela antes do diagnóstico? Como a doença afeta a rotina dela? Quais tratamentos ela já fez? Carol vai continuar em tratamento? 1. Quem é Carolina Arruda? Carolina Arruda, de 28 anos, é natural de São Lourenço, no Sul de Minas, e mora em Bambuí, no Centro-Oeste. Estudante de medicina veterinária, casada e mãe de uma menina de 11 anos, a jovem começou a sentir as dores aos 16 anos, durante a gravidez e a recuperação de uma dengue. Ela ganhou notoriedade nacional em julho de 2024 ao revelar o desejo de recorrer ao suicídio assistido na Suíça, país onde o procedimento é legalizado, devido à dor e ao desgaste causados pela doença. 2. O que é a neuralgia do trigêmeo? É uma doença neurológica rara que provoca dores intensas no rosto, comparadas a choques elétricos. Afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade facial, e pode ser desencadeada por ações simples, como falar, mastigar ou escovar os dentes. A doença atinge menos de 0,3% da população mundial, mas o caso é ainda mais raro: a jovem sente dor nos dois lados do rosto e de forma contínua. 3. Quando começaram os sintomas? A jovem começou a sentir as dores aos 16 anos, durante a gravidez e a recuperação de uma dengue. No início, os sintomas chegaram a ser confundidos com problemas odontológicos. Só após exames detalhados os médicos confirmaram a neuralgia do trigêmeo, e o atraso no diagnóstico retardou o início de um cuidado mais direcionado. 4. Como era a vida dela antes do diagnóstico? Antes de conviver com a doença, a estudante estudava e trabalhava normalmente. Ela relatou ter planos acadêmicos e profissionais, mas precisou interrompê-los quando os episódios se intensificaram. 5. Como a doença afeta a rotina dela? A neuralgia do trigêmeo torna atividades simples, como escovar os dentes, falar ou mastigar, extremamente dolorosas. 6. Quais tratamentos ela já fez? A estudante passou por uso de medicamentos, sessões de radiocirurgia, fisioterapia e uma cirurgia de descompressão do nervo trigêmeo. Os resultados foram temporários, e os episódios sempre retornaram. O procedimento mais recente foi uma sedação profunda, com o objetivo de 'reiniciar' o cérebro e melhorar a resposta aos medicamentos. Porém, ela relatou que não houve melhora, que os sintomas ficaram ainda mais intensos e afirmou que daria um tempo nos tratamentos médicos para priorizar o cuidado emocional. 7. Carol vai continuar em tratamento? A estudante afirmou que não pretende passar por novas cirurgias ou procedimentos experimentais, mas seguirá com as terapias já implantadas, como a bomba de fármacos e os eletrodos. Segundo o médico responsável, novas intervenções invasivas foram descartadas. A prioridade agora é preservar conforto, funcionalidade e respeitar a vontade expressa da paciente. LEIA TAMBÉM: Como é viver com doença que causa 'pior dor do mundo': 'Gritava e chorava de dor' Jovem com a 'pior dor do mundo' revela que vizinho tentou estuprá-la: 'Me prendeu pelos braços' VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas